19/04/2010
Aposentado vai competir com banco via cooperativa de crédito
Os aposentados estão preparando uma reação às altas taxas de juros cobradas pelo sistema financeiro nas operações de empréstimo consignado. O Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas está em avançada negociação junto ao Banco Central (BC) para colocar no mercado uma cooperativa de crédito e atender a demanda desse público que hoje desembolsa juros mensais de até 2,3%, considerados ainda elevados diante da total garantia do retorno do dinheiro. O consignado – modalidade de empréstimo com desconto das parcelas na folha de pagamento – feito com aposentado é ainda mais garantido dos que os demais, por conta do vínculo que não será rompido com a fonte pagadora.
Entrar nessa briga é mexer em um mercado de gigantes, hoje com operações anuais que chegam a R$ 22,3 bilhões, segundo dados do Ministério da Previdência com base na movimentação de 2009.
E é um mercado em franca expansão. Os números do ano passado já foram 152% acima do somatório de 2008, com um total de 9,4 milhões de operações. Em fevereiro, último levantamento disponível no site da Previdência, foram outros R$ 2,12 bilhões, 114% acima do verificado em 2009.
“Acredito que até o final deste mês teremos a liberação total do Banco Central. Nossa ideia é trabalhar com taxas equivalentes a metade do que os bancos cobram atualmente, que são valores consideramos muito elevados”, comenta o presidente da instituição, João Batista Inocentini. Em todo o País, são 24 milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que passarão a ter mais uma opção de crédito a disposição.
Mas até avançar num segmento disputado pelas maiores instituições financeiras em atuação no Brasil, a cooperativa de crédito vai precisar percorrer uma estrada longa. Primeiro, porque o lastro financeiro desenhado inicialmente prevê R$ 5 milhões para as primeiras operações. Comparando isso com a demanda mensal de crédito do público em questão, hoje sempre beirando os R$ 2 bilhões mensais, os R$ 5 milhões terminarão atendendo apenas uma ínfima fatia. “Mas já tenho bancos interessados em fazer aportes na cooperativa, como o Banco do Brasil”, rebate Inocentini. Cada associado fará um aporte mensal, com uma taxa de contribuição, para financiar os empréstimos do grupo.
Hoje, na base de sindicalizados, dos 24 milhões, 605 mil estão vinculados à entidade e poderão lançar mão do dinheiro mais barato. E novamente a matemática é desfavorável a cooperativa, e a grande maioria estaria atualmente sem direito a esse recurso mais barato. Mas só a movimentação de que o Sindicato está entrando nesse mercado, já sinaliza para as instituições que, apesar de ter na modalidade de empréstimo consignado uma das taxas mais baixas ofertadas quando comparada às demais operações, como as usadas pelos bancos para o público em geral, não é suficiente para que os aposentados e pensionistas deixem de reivindicar um tratamento mais justo.
A cooperativa pode terminar até por incentivar a adesão ao sindicato. Normalmente no sistema de cooperativa de crédito, os possíveis lucros da entidade também são divididos com os cotistas, neste caso, os próprios aposentados.
Fonte: Jornal do Commercio, Pernambuco